Postado 08 de abril de 2019

Será que Vicente tem autismo?

Quando comecei a falar no meu insta sobre a nossa dúvida, recebi várias dúvidas quanto à situação do Vicente Sorridente.

A maioria estava surpresa, pois nunca tinha notado nada diferente: “é um menino tão alegre e carinhoso! O que os fez pensar no TEA?”.

mãe abraçando filho e sorrindo em Lisboa
sorrisos e abraços como ele ama

Fiz este outro post sobre os sintomas do Autismo, a fase da dúvida e da busca pelo diagnóstico, contando os custos e a diferença que o Laudo faz.

Aqui, realmente, a suspeita é que ele esteja no Espectro em Grau Leve (ou Grau 1). Mas é um assunto tão delicado que não é possível tratar em um comentário ou resposta de direct. Por isso, vou abrir aqui a nossa realidade para vocês, na esperança de ajudar outras famílias em situações parecidas.

Aqui, vimos alguns pequenos atrasos motores: rolar, engatinhar, andar em média 2 a 3 meses depois da idade média, mas ainda dentro da faixa de normalidade. 

Por outro lado, o “olhar nos olhos” durante a amamentação e todo o apego (Vicente ama abraços, beijos, cócegas, dormir juntinho) me indicavam que não poderia ser TEA. Afinal, a fuga do olhar e a sensibilidade ao toque estavam em todas as listas de sintomas que eu encontrava.

pais abraçando filho com mar ao fundo em Malta
juntinhos e grudadinhos em Malta

Só que nenhum dos sinais do TEA são requisitos essenciais – e alguns são difíceis de se analisar. 

A criança pode amar carinho, mas ter sensibilidade ao toque – acompanhado de crises de choro – na hora de pentear cabelos, escovar dentes, tomar banho, tocar na areia (Vicente tem todos esses). 

A criança pode olhar nos olhos da mãe, mas não fazer o mesmo com outras pessoas. Só descobri isso quando me surpreendi com a neurologista disse que Vicente tinha pouco contato visual.

Ou pode olhar nos olhos, não ter nenhuma sensibilidade ao toque, e ainda assim estar dentro do Espectro, por outras características.

Alguns outros sintomas do autismo que Vicente apresentou foram:

  • Regressão: começou a falar algumas palavrinhas (mamã, papá, dá) com meses de idade e depois parou. 
  • O atraso na fala do Vicente é relevante: aos dois anos e dez meses, agora está começando a formar frases pequenas, de duas ou três palavras curtas, como “Mamãe, me dá água?”. E isso, com muito treinamento diário, fono e ABA.
  • Além da fala, observo que ele interage menos que as outras crianças: quando chega a um parquinho ou brinquedoteca, primeiro quer conhecer os brinquedos ou correr para todos os lados. Só depois (e nem sempre) tem curiosidade pelas crianças à sua volta. Na creche era o mais tímido, e até pouco tempo, precisava ser levado pela professora para a rodinha.
  • Outro sintoma associado à comunicação é a ecolalia: a repetição de palavras, frases ou músicas. Ao pedir água, durante mais de um ano, ele repetia a palavra “água” diversas vezes em seguida, e só parava quando o copo chegava nas suas mãos. Depois, teve ecolalia de música: “ia-ia-ô” era cantada várias vezes ao dia, depois teve a fase do “Cai cai, balão”. Agora, está há alguns meses cantando “Brilha, brilha estrelinha”, ou, nas palavras dele “Biba biba, eteíta” – impossível não se derreter com a versão dele da música, todo animado e mais fofo, impossível.

Alguns sintomas estão melhorando…

Há alguns meses, alguns sintomas do autismo eram mais vistos que agora, como:

  • TOD (Transtorno Opositor Desafiador): a reação de “não”, seguido de choro excessivo e sem motivo aparente a cada mudança de atividade era a parte mais desgastante do nosso dia, em casa ou em qualquer do mundo. Muitas vezes é acompanhado de comportamentos agressivos, ele tenta nos bater quando contrariado. Acontecia em média 3 vezes por dia. Agora, acontece de uma a duas vezes – e já tivemos dias sem crises.
  • andar nas pontas dos pés (andava assim uns 8 passinhos, agora raramente anda, e quando faz, são uns 3);
  • ecolalia: apesar da música mais cantada ainda ser “estrelinha”, e ainda repetir em diversos momentos que não seriam os mais adequados, agora começa a aumentar o repertório;
  • falta de interesse em falar: antes víamos que não desejava falar, hoje, repete o que falamos, aponta para os objetos e nomeia antes de pedirmos e repete na maioria das vezes em que é solicitado;
  • interesse restrito: teve fases em que só gostava de um tipo de brinquedo ou desenho (minions, bichos, dinossauros ou aviões, em épocas distintas), agora ainda tem preferências por esses, mas também varia mais entre esses e outros personagens.
  • contato visual: a mesma neurologista que tinha observado na consulta inicial, agora destacou grande melhora;
  • socialização: está interagindo muito melhor na escola e demonstrando mais interesse em outras crianças em outros ambientes;
  • não atender pelo nome: já passou pela minha cabeça a chance dele ter algum problema auditivo (e essa é uma das perguntas feitas pelas neuro) porque ele não olhava quando o chamávamos. Agora, tem nos atendido na maioria das vezes.
  • brincadeiras não-funcionais: costumava brincar batendo um brinquedo no outro. Agora, faz isso com muito menos frequência e usa os brinquedos de forma “normal”: o avião voa, o carro anda pela casa, o dinossauro faz “Uaaaarrrh”… Apesar de ainda se baterem um pouco.
  • seletividade alimentar: apesar de ainda não comer verduras e legumes (cospe só eles, se misturados), tem comido maior variedade de comidas.
  • estereotipias: ele balançava o corpo de vez em quando e não tenho percebido mais. Mas agora ele tem “mania” de dar uma batidinha atrás das orelhas com uma certa frequência.

O diagnóstico do TEA

Até o momento, ouvimos três neuropediatras, uma pediatra, duas fonoaudiólogas e duas psicólogas. Destes profissionais, dois concluíram que ele não possui Autismo, dois afirmam que ele possui características dentro do Espectro, três deram a entender que “acham que sim” e uma não se manifestou.

De maneira mais unânime, houve o diagnóstico de TOD (Transtorno Opositor Desafiador) e Apraxia de Fala.

No entanto, quanto ao TEA, ficamos na dúvida, situação que pode durar anos, como acontece com grande parte das famílias, como contei neste outro post.

Tratamento

Os sintomas do Autismo Leve são de diagnóstico mais difícil, mas evoluem mais rapidamente com as intervenções corretas, principalmente na primeira infância. Todas as pesquisas são no sentido de que o tratamento minimiza os danos.

Por isso, estamos seguindo o tratamento recomendado pela Neuropediatra e a Psicóloga que nos pareceram mais cautelosas. Suprir os atrasos identificados só tem a contribuir na evolução do meu filho, independentemente de diagnóstico fechado unânime.

Atualmente, Vicente está tendo intervenção com ABA em uma clínica especializada três vezes por semana, duas horas por sessão e consultas com Fonoaudióloga especializada duas vezes por semana. Assim, faz tratamento diário, de segunda a sexta.

Também está tomando medicamento para o TOD, o que acreditamos que tem auxiliado muito no tempo de concentração, que tem aumentado e proporcionado maior tempo se desenvolvendo em terapias.

Quando está em casa, buscamos estimulá-lo o máximo possível. É claro que há momentos em que estamos todos cansados e permitimos que ele relaxe, brinque como quiser.

No entanto, na maioria do tempo, estamos estimulando a fala, apontando para objetos e pedindo que ele nomeie, falando corretamente em seguida, ou provocando situações em que ele precise pedir algo, fazendo frases mais completas.

Também busco variar as atividades e focar naquelas que vão trazer os estímulos que ele mais está precisando, como massinha, para trabalhar a coordenação motora fina ou quebra-cabeças, que trabalham uma lógica que ele ainda não demonstra dentro do padrão para a idade.

É claro que tudo isso dá trabalho e é caro. Diminuí o ritmo de postagens no insta para estudar o tema e estar mais tempo com ele. Diminuímos o ritmo de viagens para voltar nosso foco (e orçamento) ao tratamento.

O futuro

Aos poucos, vamos realinhando nossos sonhos, que nunca deixam de existir. A pergunta “Será que meu filho tem autismo?” continua presente, principalmente com tantas melhoras.

No entanto, também sabemos que as melhoras são esperadas, principalmente em caso de Autismo Grau 1, ou Autismo Leve. Por isso, não vamos deixar de tratar por ver evoluções, como já sugeriu um dos Neuropediatras que visitamos, o que excluiu o TEA.

Acreditamos que a lógica é justamente a contrária. Vimos tantas melhoras, como relatei acima, que não faz sentido parar o tratamento. Ao contrário, estou cada dia mais atenta, às vezes até preocupada demais, mas sempre com a intenção de compreender se ele não precisa de mais estímulos.

Mas, até o momento, a evolução nos indica que estamos trilhando um bom caminho. E continuarei estudando, me aprofundando, me capacitando e contando com os melhores profissionais que puder ter acesso para ter cada dia mais certeza de oferecê-lo o melhor para o seu desenvolvimento.

Leia também este outro post sobre os sintomas do Autismo, a fase da dúvida e da busca pelo diagnóstico, contando os custos e a diferença que o Laudo faz.

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